Sexta-feira, 18 de agosto de 2017

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BB: superintendente da São Paulo I "oficializa" assédio moral



fonte: Contraf/CUT

Mensagem assinada por Valmir Pedro Rossi institui meta de R$ 50 mil em crédito em 15 dias e ameaça: quem não cumprir terá que se justificar por escrito e em reuniões regionais

Nas mesas de negociação com a Contraf-CUT, o Banco do Brasil nega que a prática de assédio moral seja uma política da empresa e alega investigar e punir os casos denunciados. O superintendente de Varejo da São Paulo I, Valmir Pedro Rossi, no entanto, parece discordar.

Essa é a conclusão que se tira da leitura de mensagem assinada por esse senhor, divulgada aos bancários pelo correio eletrônico do banco no último dia 4.

O texto trata do lançamento do "Desafio Crédito Veículo", que, segundo a mensagem, consiste no "estabelecimento de uma meta de contratação de operações de financiamento de veículos de R$ 50 mil por Gerente de Contas PF Exclusivo e Gerente de Contas PJ Empresa e MPE". Ou seja, um nome pomposo para mais um aperto nas já absurdas metas a serem cumpridas pelos funcionários do banco.

O prazo estabelecido para que os gerentes atinjam R$ 50 mil em vendas é de, na prática, oito dias úteis, de 4 a 16 de junho. Os gerentes que não atingirem a meta estabelecida deverão encaminhar uma Nota Técnica Pessoal no dia 17 para a direção justificando seu desempenho. No dia 18, reuniões serão realizadas em todas as regionais para avaliação dos resultados alcançados durante o Desafio.

"A carta é uma confissão da prática de assédio moral institucional feita pelo superintendente", avalia William Mendes, secretário de Imprensa da Contraf-CUT e funcionário do BB. "Num momento em que os trabalhadores estão justamente se mobilizando para uma greve por melhores condições de trabalho a superintendência inventa uma meta completamente irreal, tirada não sei de onde, e ameaça os trabalhadores com cartinhas de ’confissão’ e humilhações públicas", indigna-se.

Segundo William, o Banco do Brasil afirma combater o assédio, mas os casos denunciados pelos dirigentes sindicais são ignorados. "Pior, muitas vezes os agressores são até promovidos. O banco precisa assumir uma postura correta e punir esse superintendente", sustenta.

William chama a atenção também para os objetivos do banco: aumentar os lucros por meio do credito pessoal para bens duráveis, com ênfase em veículos. "O BB tem deixado de lado suas obrigações como banco público, de fomentar o desenvolvimento econômico e social, e visado somente o lucro. Esse não é o papel de um banco público. Em meio à crise mundial dos alimentos, o papel do banco é fomentar a produção de alimentos e não a venda de carros", afirma.

Outro ponto é o programa Sinergia 200 Anos, citado na mensagem como motivo para o "esforço adicional" cobrado dos trabalhadores. "É mais um presente que o banco dá para seus funcionários no aniversário de seus 200 anos", lamenta o dirigente. "O banco deu aos trabalhadores mais um motivo para uma forte mobilização no dia 25", completa.

O uso deste material é livre, contanto que seja respeitado o texto original e citada a fonte: www.assediomoral.org